Quando eu era criança, a palavra “chefe” me remetia a um ambiente onde a autoridade era marcada pela presença do medo e não do respeito.
Escutava muito as frases:
“Se eu não entregar isso hoje meu chefe vai ficar furioso”
“Se eu não cumprir o prazo vou ser demitido”
“Se eu não fizer exatamente como meu chefe quer, vou ser chamado atenção”
“Ele é o chefe, temos que fazer o que ele manda”
Os anos passaram, cresci e entrei no mercado de trabalho. O que já era de se esperar, aconteceu comigo também.
Adquiri o medo do chefe!
Comecei a questionar qual deveria ser o papel de uma pessoa que, na escala hierárquica, está acima. Será que comandar ao invés de conduzir é o melhor caminho para tornar profissionais qualificados em pessoas altamente produtivas e tão satisfeitas com suas atividades, que são capazes de ajudar a empresa a atingir seus objetivos?
Eu tenho absoluta certeza que não!
No momento em que assumimos um cargo de liderança, temos que ter consciência que nessa função iremos gerir pessoas e não máquinas que obedecem a comandos.
Estudos apontam que pessoas motivadas são mais produtivas em seus trabalhos, e é aí que entra o papel do líder. O verdadeiro líder inspira, conecta, impulsiona, motiva, valoriza a equipe, escuta o outro com atenção e o mais importante, sabe conduzir.
Até dá para aceitar o fato de antigamente os superiores serem conhecidos como chefes que comandavam, ordenavam, eram autoritários, centralizadores e muito temidos. Era uma outra época, não existia a preocupação de tratar o funcionário como parte integrante da realização de metas e objetivos, o profissional era visto apenas como objeto descartável.
Não podemos negar que já evoluímos muito, porém ainda há empresas que insistem em colocar em seus cargos mais altos, pessoas com espírito de chefia e não de liderança. É uma pena que essa prática ainda perdure, podemos vê-la claramente nas organizações empresariais que possuem uma alta rotatividade de contratações e demissões, aqueles que desejam ter um crescimento profissional e ver o reconhecimento de seu trabalho, não conseguem permanecer em um ambiente onde o temor pelo superior impera, e aqueles que continuam, porque a necessidade fala mais alto, adoecem e seguem todos os dias para o trabalho como se estivessem a caminho da forca.
Aqui eu te convido a refletir.
Como pode um trabalhador exercer sua função com excelência, ser produtivo, bater metas e alcançar resultados se o trabalho se tornou, para ele, um martírio?
Levando em conta tudo o que foi dito até aqui, você sabe dizer qual é o seu perfil?
Se ainda não sabe, veja abaixo algumas características e identifique onde você mais se encaixa.
– O papel do líder.
O líder é o espelho da sua equipe, é um gestor de pessoas que faz sua equipe estar sempre comprometida com o resultado.
Para ser líder não basta apenas dar ordens! Na verdade, a palavra ordem não se encaixa bem no rol de características do líder, delegar o define melhor.
“A maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns”. (Abraham Lincoln)
Desenvolver habilidades em outras pessoas é a característica que mais me encanta no líder. Ele consegue enxergar cada funcionário como único, buscando o desenvolvimento dos pontos fortes de cada um. Cada pessoa possui uma velocidade de entendimento e de produção, não somos máquinas e como tal, não traremos todos o mesmo resultado.
Características de um líder:
– O papel do chefe
Quem sabe, sabe! Quem não sabe, é chefe!
Chefe é aquele que pratica o assédio moral sem nem mais perceber, pois já é natural para ele tratar o outro assim, apenas como uma peça num tabuleiro com mais cem iguais a ela. Ou seja, ele não está preocupado se você não está gostando de ser tratado assim, peça demissão, afinal tem uma fila querendo o seu lugar para ser tratado como descartável também.
Em um dos meus primeiros empregos, passei por uma situação muito constrangedora. Eu trabalhava no financeiro de uma construtora e a chefe do setor, não sei por qual motivo, decidiu tirar aos poucos as minhas atividades, até que chegou ao ponto que eu ia para o trabalho apenas para ficar olhando a tela do computador. Na época eu só pude entender que o que ela queria era “forçar” o meu pedido de demissão por não ter motivos para me demitir. Ela conseguiu o queria, pois apesar da pouca idade eu era e ainda sou uma pessoa comprometida com o trabalho e não via a necessidade de passar por tamanha humilhação.
Um líder jamais agiria de tal maneira, pois um dos seus papéis é formar novos líderes.
Características de um chefe:
Se você empreende ou exerce um cargo superior, desenvolva hábitos de líder. Conduza sua equipe com sabedoria, pois será sua a responsabilidade, tanto do sucesso quanto do fracasso.
Não queira ser temido, e sim respeitado.
Não queira também competir com aqueles que compõem sua equipe, você não está em um ringue de luta livre. Transmita conhecimento e também busque aprender com seus colaboradores, afinal não é porque você chegou no cargo de líder que não tem mais a agregar. Saber escutar é uma arte!
E se você é funcionário, não permita ser chefiado. Eu sei que em muitos momentos a necessidade do emprego fala mais alto, e sim é compreensível que, nesses casos, você tenha que se submeter ao sofrimento de acordar todas as manhãs para passar o dia em um ambiente hostil, onde seu trabalho não é valorizado e sua estima é banalmente diminuída.
O conselho que eu sempre dou é que apesar de estar trabalhando em uma empresa que não te dá o real reconhecimento, o seu trabalho deve ser sempre exercido com a máxima eficiência. Dê o seu melhor e sempre mais do que esperam de você, esse é o papel de um bom profissional. O reconhecimento e a oportunidade podem surgir de onde você menos espera, então continue exercendo suas atividades, agregue cada vez mais conhecimento e esteja sempre em busca de um emprego melhor, no qual será liderado ou quem sabe liderar!